Cultura do Vinho

A Cultura do Vinho 4

23 de julho de 2012

Leitores, após uma semana de feira de vinhos, a VINEXPO 2011, em Bordeaux, na França, em  junho, vou tentar relatar aqui minha impressão, pois é sempre uma oportunidade de ver de perto as novidades do mundo dos vinhos e os seus reflexos na realidade atual.
Primeiramente, relatar que em termos gerais, a feira esteve muito profissional nesta edição. Comparada com dois anos atrás, no fluxo total de pessoas, a participação de interessados em testar e comprar vinhos foi maior. Também com presença de um número menor de compradores asiáticos do que se poderia esperar, pois Bordeaux vive o paradoxo chinês no momento. Os vinhos importantes de Bordeaux estão interessando aos chineses, que estão cada vez mais entrando no mercado de vinhos com bastante vigor.
Aqui, gostaria de debater o assunto em questão por um momento. Conversando com todos os presentes tanto dentro da feira como fora dela, se comentou a respeito do futuro desse interesse por eles. Sabidamente se trata de novidade chineses interessados em vinhos, e como a população deles é enorme, se algum produto faz sucesso nesse mercado, o apetite por consumo é gigantesco. Mas não é só essa a explicação que eu buscava. Segundo contatos com importadores da China, ficamos sabendo que, cada vez mais, o chinês anfitrião vê no vinho uma forma de receber em alto estilo, receber da melhor forma possível os seus convidados em sua casa. Como vinhos importantes da França são considerados o máximo em vinhos, este é um mercado que se abriu a esses vinhos. E assim o mundo caminha leitores, mercado gigante, se tiver consumo gigante, falta do produto desejado e sobem os preços!
Mas meu alívio quanto ao Brasil é que com todos que falei, nosso país é considerado mais promissor como mercado, pois a cultura do vinho, algo que tanto tenho tentado difundir, é maior aqui e nos dá respaldo para um crescimento em menor escala, mas com grandes chances de ser mais duradouro que nos países asiáticos. 
Continua chamando atenção à crescente oferta de vinhos orgânicos e biodinâmicos, sinal que produtores estão cada vez mais aderindo ao manejo de seus vinhedos, empregando estas filosofias pensando na qualidade e no mercado crescente que se abriu para estes vinhos. 
Na feira o contato é intenso, havíam quase cinco mil produtores de todo o mundo expondo seus vinhos. Mesmo tendo todo o cuidado para mantermos o nosso estado normal dos sentidos sempre preparados para cada vinho que teremos pela frente, portanto, sem engolir o vinho, existem ocasiões em que somos obrigados a relaxar um pouco e aproveitar o que nos oferecem certos produtores. Eles levam verdadeiras relíquias para mostrar a alguns degustadores. Nesta edição, o momento mágico foi que depois de degustar todas as safras novas e anotar tudo, de um produtor importante do Rhône, o Château De La Gardine, ele me serviu um Chateuneuf Du Pape garrafa magnum(1.500 ml) da safra de 1952 com a poeira acumulada de anos, algo que sempre ficará guardado na memória!


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