Cultura do Vinho

A Cultura do Vinho 6

23 de julho de 2012

Glen Carlou, vinícola da África do Sul, agora vem ao Brasil com força total!

Leitores enófilos, como eu já havia citado na coluna anterior, ao participar desta última VINEXPO 2011, feira de vinhos realizada em junho deste ano em Bordeaux, França, também foi possível degustar estes vinhos junto ao stand do grupo de vinícolas pertencentes ao empresário suíço Donald Hess, e que pretendo descrever aqui . Vale citar que o enólogo responsável pelos vinhos chama-se Arcow Laarman.

O primeiro vinho oferecido a mim foi o Chardonnay 2009 da região de Paarl. Um vinho que passa por fermentação dentro de barris de carvalho em contato com suas leveduras  e posterior amadurecimento por dez meses em carvalho francês, mas somente trinta por cento em barricas de primeiro uso, o restante em barricas de segunda e terceira passagem. Impressiona seus aromas de frutas tropicais como manga e abacaxi maduro, mas com presença de especiarias adquiridas da madeira em dose correta, sem sobrepor a fruta. Belo balanço em boca e retro gosto a frutas secas.  Este vinho acabou de ganhar da revista inglesa Decanter, a medalha de ouro na sua modalidade, até dez libras de preço. Logo em seguida outro Chardonnay da mesma região, o Chardonnay Quartz Stone 2009, com um pouco mais de passagem em madeira, onze meses em amadurecimento. Este se mostrava mais untuoso que o primeiro, o percentual de madeira de primeiro uso sendo maior explica este fato. Neste, os aromas de frutas tropicais compotadas eram marcantes, mas também de amêndoas tostadas, gengibre e bala “ toffe”. Em boca a untuosidade se destacava e o equilíbrio também. 

O território sul africano onde estão os vinhedos de Chardonnay, a região de Paarl, são de clima tipicamente mediterrâneo, com invernos chuvosos e verões quentes e ensolarados.  Tambem há as montanhas de Simonsberg ao Norte influenciando no clima.

Em seguida degustamos o Pinot Noir 2010 da região de Coastal Region, um belo vinho para ser degustado. A seguir, o Shiraz 2007, também da região de Paarl. Este vinho recebe uma participação pequena das uvas Mourvèdre e Viognier, revelando o grande potencial que este país tem para estas uvas. Vinho impressionante quanto a sua complexidade e exuberância em aromas. Frutas negras maduras, couro, especiarias doces, chocolate e folhas de chá. Boca envolvente e com perfeita integração entre os taninos e o frescor. Logo  em seguida  o Grand Classique 2008, vinho da região de Paarl com as uvas Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot, Petit Verdot e Cabernet Franc.  O nariz se mostrava tipicamente bordalês, com cassiz, cedro, páprica e aromas tostados. Na boca me marcou sua persistência. E o último vinho, um Cabernet Sauvignon de alto estilo, o Gravel  Quarry Cabernet Sauvignon 2007, vinho com olfato intenso de cassiz, cravo, especiarías picantes e mineral(cascalho). Vinho denso em boca, com taninos finos e um belo frescor a dar o equilíbrio necessário. Final arrebatador.

Assim acabei relembrando vinhos de mais um país que integra o chamado “Novo Mundo dos vinhos”, a África do Sul, falada ultimamente pela Copa do Mundo que sediou no ano passado, mas que comprova ter aptidão para expressar outras de suas virtudes alem do turismo, os seus vinhos.

tony@enotecadecanterbc.com.br