Cultura do Vinho

A Cultura do Vinho 7

23 de julho de 2012

Peter Lehmann, um exemplo de heroísmo a favor dos vinhos!

Olá amigos leitores, esta semana completo a série das três vinícolas degustadas no stand do grupo Donald Hess, em Bordeaux, França, durante a VINEXPO 2011. Desta vez falaremos da Austrália, um dos países que vem encantando os consumidores de vinho do mundo todo. Particularmente, também reconheço que os vinhos australianos crescem ano a ano em qualidade. Seus vinhos a base da uva Shiraz estão entre os grandes vinhos do mundo, alcançando notas muito expressivas dos críticos de vinho mais importantes.

Há tempos atrás, após uma forte crise nos vinhedos de vários produtores australianos, a vontade desses produtores era de arrancar os vinhedos e substituir os parreirais por outro tipo de cultura. Peter Lehmann acreditou no futuro e tratou de fundar uma cooperativa de produtores assumindo seu papel de liderança destacada na salvação dos vinhedos. Depois que a situação normalizou-se no país, aos poucos esses produtores acabaram tornando-se fortes e fiéis ao seu líder. 

Iniciamos a degustação com um belo Riesling, o Wigan 2005, da região de Eden Valley. Aromas cítricos de lima e limão e um mineral lembrando pedra de ísqueiro. Excelente balanço em boca, fruta sob um fundo mineral e o frescor presente dando respaldo. Em seguida o Dry Riesling 2010, também do Eden Valley. Aqui a fruta destacava-se mais, perdendo em complexidade para  o Wigan. Logo a seguir, o The Futures Shiraz 2009, da região de Barossa Valley(Foto), uma das mais importantes regiões para vinho daquele país. Aqui está um vinho elaborado com uvas de vinhedos que foram formados trazendo plantas do Hermitage, França, em 1840. Outra curiosidade é que os vinhos da linha Peter Lehmann trazem sempre uma figura da rainha de copas e uma arte diferente a cada vinho. Este Shiraz pareceu-me  encantador, com ameixas maduras e chocolate e também uma nota mineral, terrosa. O volume em boca era enorme, com fruta, frescor e mineralidade bem integrados.

E por último, mais um Shiraz, o Stonewell 2006, este o principal vinho da linha elaborado com a uva Shiraz. A sensação foi de estarmos com todas as qualidades do vinho The Futures, mas com muito mais finesse, elegância e estrutura neste vinho. Aqui, sem dúvida, estive diante de um dos melhores Shiraz australianos que já degustei. Me lembrei do Oracle Shiraz 2004, vinho da vinícola Kilikanoon, de Kevin Mitchel, maestro da orquestra filarmônica de Melbourne, que arrebatou 98 pontos de Robert Parker.  

E assim meu passeio pelo “Novo Mundo” foi completado, em alto e grande estilo! 

tony@enotecadecanterbc.com.br