Cultura do Vinho

A Cultura do Vinho 9

23 de julho de 2012

A uva Albariño em grande expressão na Espanha, no Palacio de Fefinares!

Amigos leitores, a uva Alvarinho em Portugal já nos brinda com ótimos vinhos verdes, e por isso mesmo já se tornou uma mania de consumo em outras regiões do mundo. Pois bem, se a Espanha tem território adequado para também produzir excelentes vinhos brancos, tanto quanto Portugal, porque não despertaria à atenção com seus Albariños? É o caso do Palacio de Fefinares ou Palacio de Figueroa, como também é conhecido.

Este produtor está no extremo noroeste espanhol, na Galícia, na sub-região de Rias Baixas. Lá o clima é marcadamente atlântico, com alto índice pluviométrico e condições territoriais especiais para propiciar a melhor expressão possível desta variedade branca, uma das mais nobres do mundo, a Alvarinho ou localmente Albariño. O Palacio de Fefinares está situado mais precisamente na pequena vila pesqueira de Cambados, província de Pontevedra. Sua arquitetura de estilo renascentista(Foto) o caracteriza como uma das mais suntuosas edificações históricas da Galícia. O produtor ficou famoso por ter sido o primeiro a engarrafar um Rias Baixas Denominacion de Origen em 1904 e ser registrado posteriormente como marca em 1928.

Seus vinhos estão entre os mais autênticos, expressivos e premiados brancos galegos. Vamos ao lado prático, onde três vinhos com a sua marca estão disponíveis agora no Brasil. O “Albariño Joven” é fresco, com aromas de cítricos, pêssegos e menta. De apelo imediato em boca, salino e de extremo prazer. Já no “Albariño 1583”, que faz referência ao ano de fundação da Palacio de Figueroa, o perfil é outro, mostra ser um branco mais vigoroso tanto em olfato como em boca, com aromas de cítricos confitados, nectarina, leve fumado e generosa mineralidade. Muito marcante sua textura e longo final em boca.

O auge da expressão está no “Albariño de Fefinares IIi Año” , concebido em baixos rendimentos a partir das vinhas velhas da propriedade e vinificado sem nenhum contato com a madeira para potencializar as virtudes da Albariño, é cheio de caráter no olfato, muito rico, revela cítricos confitados, melões maduros, giz e impressões balsâmicas. Em boca é complexo e encanta por sua maciez glicérica, ou seja, presença de álcool pastoso que dá sensação de doçura, mas contrabalanceada por ótima acidez e incrível mineralidade. A produção deste ícone é sempre limitada ao máximo de 6.000 garrafas e lançada após três anos de amadurecimento nas caves do palácio. Ao acompanhar pratos da gastronomia galega(Foto) e até uma “Brandade de Bacalhau”, difícil não enaltecer e salivar só de pensar em sua  majestosa presença!

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