Cultura do Vinho

Argentina, a Maciez de Seus Vinhos Continua Encantando.

23 de julho de 2012

Este é um país com longa história no mundo do vinho. É, sem dúvida, um grande representante do chamado Novo Mundo, mas seu passado glorioso onde a economia era forte, propiciou rápido desenvolvimento na implantação de vinhedos e posteriormente no aumento da qualidade deles. A origem de sua população e a relação estreita com a Europa sempre fortaleceram os hábitos de consumo da gastronomia e dos vinhos.

As regiões com vinhedos estão desde Salta bem ao Norte, até a Patagônia no Sul. A concentração maior de vinícolas ou Bodegas como lá são chamadas, está em Mendoza e arredores, região mais ao centro da Argentina, mas ainda margeando a Cordilheira dos Andes. E um pouco acima de Mendoza está San Juan, outra região que se destacou nos últimos tempos. E bem abaixo ao Sul, a região que mais tem despertado a atenção e com isso mais investimentos tem recebido, a Patagônia.

Apesar da crise que vem batendo forte nesse país vizinho, muitos produtores se mantiveram firmes no mercado mundial, pois seus vinhos não mudaram de estilo, não sucumbiram aos internacionalismos óbvios que nivelam os produtores do Novo Mundo. Na região de Mendoza, nas melhores sub-zonas de Lujan de Cuyo, por exemplo, com clima seco e amplo gradiente térmico, as uvas amadurecem a perfeição em vinhedos com grande densidade por hectare. A precipitação anual é de 180 mm. Isso tudo somados a solos de origem aluvial e textura franco-limosa e argilosa, e ainda a irrigação com água de degelo dos Andes, fecham o cenário perfeito para a produção de vinhos singulares.

E para exemplificar mais ainda o tema da diversidade de territórios argentinos para vinhos, é obrigatório falar de Salta e os vinhedos mais altos do mundo. Alí, além dos solos serem de caráter aluviais e arenosos, a amplitude térmica ou gradiente dia-noite pode chegar a 35 graus Celsius. A radiação UV é altíssima, com mais de 350 dias de sol no ano, o que favorece a concentração de cor, aromas e açucares nas uvas. Ilustro isso com a foto da sede da Bodegas Colomé em Salta. 

Resumindo, a Argentina e seu vasto território possuem condições ideais para manter o estilo elegante e complexo de seus vinhos a base das uvas brancas Chardonnay, Sauvignon Blanc, Viognier e Torrontés, e das tintas Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdor, Tempranillo e Syrah, e acima de tudo, maduros e potentes, garantindo sua maciez que já é marca registrada no mundo.

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