Cultura do Vinho

França, Tradição e Qualidade ou só “Glamour”?

23 de julho de 2012

Amigos enófilos, falar da história vitivinícola deste país europeu é falar da própria história do vinho, é falar da origem da maioria das uvas européias que de lá se espalharam ao redor do mundo e algumas nem lá mais existem.

Justamente devido a esse pioneirismo e tradição, o vinho francês adquiriu uma importância enorme para o mercado mundial e seus preços subiram na mesma escala. Hoje o panorama mundial já não é tão confortável para o vinho francês, há muito mais concorrentes fazendo bons vinhos e com preços bastante competitivos. O consumidor mundial que antes não discutia preço por se tratar de vinhos de um país “griffe”, acabou encontrando na maior amostragem de novas regiões, de novos produtores, algo que  veio a motivar uma inevitável mudança no seu comportamento.

No entanto, a França ainda domina a produção e venda de vinhos de alta estirpe, oriundos de pequenos vinhedos, de Castelos que atravessaram todos esses anos e ainda são muito desejados no mercado dos negociantes e colecionadores.

Falando um pouco do seu “terroir”, palavra criada por lá mesmo, é um país muito diversificado em termos de regiões. Ao Sul, um pouco acima da parte onde tem sua famosa Costa Azul, margeando o Mar Mediterrâneo, estão as regiões mais quentes. Lá se encontram os vinhos frutados e finos da Provence e do Rhône. Logo a Sudoeste vem o Madiran e seus mágicos vinhos com a uva Tannat. E também a Languedoc Roussillon entre essas regiões.

No centro estão as regiões de Bourgogne e do Loire. Na Bourgogne reinam a branca Chardonnay e a tinta Pinot Noir. No Loire é a branca Sauvignon Blanc que dá as cartas. Um pouco abaixo, mais ao Oeste, a incrível região de Bordeaux. Porquê incrível? Quem conhecer seu passado vai entender. É uma região onde houve um grande trabalho de aterramento para possibilitar o que hoje são vinhedos históricos. Lá na margem esquerda do Rio Gironde,  a uva Cabernet Sauvignon se adaptou muito bem ao solo coberto com pedras lisas e denominadas de “graves”. Já na margem direita houve a grande adaptação das uvas Merlot e Cabernet Franc. Alí, Castelos famosos fazem seus grandes vinhos, um deles é o lendário Château Petrus. E mais incrível ainda em Bordeaux é que o regime hídrico na região é alto. De onde vem então a compensação? Do restante dos fatores, solo, manejo dos vinhedos, da mão desses grandes amantes do vinho. Caso contrário, seus vinhos não permaneceriam tantos anos atraindo a atenção de um grande número de consumidores.

E mais ao Norte, a região das “borbulhas” mais famosas e caras do mundo, a Champagne. Alí o clima mais frio é ideal para que as uvas brancas adquiram seu melhor estágio de qualidade antes de entrar na composição desse famoso vinho espumante .E finalmente a Alsace, também ao Norte, onde grandes vinhos brancos são as estrelas.

Mas algo não se pode negar, os vinhos que a França produz, na sua maioria, apresentam a “finesse”, a elegância e classe como marcas registradas nos seus sabores e aromas. E esse é um atributo que sensibiliza consumidores em geral, mesmo os que não aceitam o estilo francês de relacionamento com pessoas de outras nacionalidades.

tony@enotecadecanterbc.com.br