Cultura do Vinho

Hungria, Muito Além do Seu Grande Vinho, o Tokaj!

23 de julho de 2012

Esta região da Europa já esteve arrasada durante a segunda guerra mundial e mesmo assim resistiu bravamente, recuperando seus vinhedos e iniciando uma grande história de amor ao vinho.

Hoje, a viticultura húngara mostra-se atenta e extremamente focada na qualidade. Os solos, por exemplo, na região de Villány, onde o produtor Attila Gere tem seus vinhedos, são predominantemente de “loess”, argila avermelhada, e em alguns casos,  ricos em rochas dolomíticas e calcáreas. O clima é marcadamente continental, com invernos suaves, uma primavera mais precoce e seguida por um verão seco e bastante quente.

Os vinhedos plantados com as variedades locais, ou autóctones, e também com castas internacionais, estão em Kopár(foto que ilustra a coluna), Konkoly, Jammertal, Csillagvölgy, Ördögárok e Feketehegy. As instalações da Gere Atttila contam com a mais avançada tecnologia de vinificação disponível no Leste europeu. Há também uma boa estrutura para receber enófilos mundiais e proporcionar o acompanhamento de cada passo do nascimento desses grandes vinhos húngaros feitos com principalmente Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, todas castas bordalesas, ou seja, oriundas da região de Bordeaux, na França.

A vinificação é feita com muito esmero. Até a obtenção do chamado “vinho de prensa” é realizada de forma pneumática para maximizar a qualidade dos taninos. Attila foi reconhecido como melhor enólogo húngaro em 2004. Attila Gere é o “Superstar” do vinho tinto da Hungria segundo Jancis Robinson, a famosa crítica e Master of Wine inglesa. Gere ainda ostenta as 4 máximas estrelas no “Hugh Johnson 2010”, um importante guia deste crítico de vinhos inglês.

E o Tokaj? Possivelmente o vinho de sobremesa mais lendário do mundo, elaborado com a uva Furmint e com mais de 400 anos de história. O Tokaj antecede a região do Reno em um século e a Sauternes, na França, em dois séculos, na elaboração de vinhos feito com uvas atacadas pelo fungo “Botrytis cinerea” em sua manifestação “nobre”. Resumindo hoje a situação dos vinhos húngaros, é uma grata surpresa para quem os degusta, e uma comprovação que acreditar no seu potencial é importante, pois um dia a colheita pode vir.

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