Cultura do Vinho

Toscana e seus Brunellos Perfumados e... Dramáticos!

23 de julho de 2012

Amigos leitores, um capítulo muito especial nos vinhos da “Velha bota” é a região da Toscana. Esta região da Itália é lendária em todos os aspectos, pois lá as marcas de sua história estão por toda parte e seu povo caloroso é devoto da boa mesa e dos bons vinhos sem exceções. A região passou por constrangimentos recentes relacionados às uvas utilizadas no seu vinho mais importante, o Brunello di Montalcino. Por lei, somente as provenientes de vinhedos dentro da região demarcada e das variedades permitidas para o vinho, poderiam ser utilizadas, e se descobriu que alguns produtores não o vinham fazendo.

Aqui entra meu comentário elogioso aos produtores tradicionalistas desta linda região que até em novela de TV em horário nobre recentemente foi exaltada no Brasil. O mundo do vinho convive muito com produtores que em nome da modernidade mudam o estilo de vinhos consagrados, históricos, para adquirir maior proximidade com vinhos que os consumidores em geral gostam e compram em maior volume. Vou citar alguns exemplos de produtores que não abrem mão da tradição e foram os primeiros a ter um certificado que suas uvas eram autorizadas após esse recente episódio na Toscana.

O primeiro exemplo vem da sub região de Santa Restituta em Montalcino, é a família dos Bartolommei com o Brunello di Montalcino Caprili. Sr. Caprili se tornou um defensor ferrenho da uva Sangiovese, uva esta autorizada para elaboração deste vinho emblemático italiano. O segundo exemplo se trata de um dos produtores mais aclamados no momento na Itália, o Sr. Giulio Salvioni, produtor que faz menos de 10.000 garrafas por ano de seu Brunello e consegue resumir no mais perfeito exemplo o que é justapor harmoniosamente concentração e finesse no mesmo vinho.

O terceiro produtor é um dos verdadeiros mitos do vinho italiano, o Sr. Gianfranco Soldera. Este produtor está localizado a sudoeste de Montalcino e seus vinhedos da variedade Sangiovese Grosso estão atualmente sendo manejados com a filosofia biodinâmica. Sua esposa Graziella Soldera cultiva rosas em um enorme jardim botânico no meio da propriedade, isto para buscar o equilíbrio da natureza onde está o vinhedo. Suas divisas possuem amplas fileiras de ciprestes protegendo seu território dos vizinhos que utilizam pesticidas em suas propriedades. A arquitetura do local onde está a Case Basse Gianfranco Soldera também é exemplo do acervo toscano nessa área. A vinificação é feita no estilo mais tradicional possível e para garantir pureza aos seus vinhos técnicos da Universidade de Firenze fazem constantes controles microbiológicos. Para o envelhecimento são usados grandes barris de carvalho esloveno.

Estes produtores possuem calos em suas mãos e estas são marcas do verdadeiro agricultor, do vinicultor italiano que mesmo fazendo fama e fortuna, não perderam sua verdadeira vocação e fazem questão de estarem presentes em todas as etapas de produção de seus vinhos. A Toscana possui aromas perfumados até em simples arbustos, nas ervas daninhas e até um simples entardecer é inesquecível nessa região.

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