Cultura do Vinho

Vinhos de sobremesa, você já experimentou algum deles?

23 de julho de 2012

Este é um reino encantado dos sabores e aromas de meditação. Sim, é assim mesmo que o Sommelier italiano o define: Vino da meditazione!

São diversas as tipologias, desde um Moscato D’Asti, leve e especial para sobremesas a base de frutas como uma torta daquelas da vovó, e quem ainda não comeu uma? Indo até nossos velhos e conhecidos vinhos feitos com fortificação. Sim, estes vinhos, como o Porto e o Jerez,  passam de simples vinhos de aperitivo ou digestivo, para vinhos de sobremesa também quando a ocasião o requisitar. O Porto vai bem com sobremesas a base de chocolate, e o Jerez Pedro Ximenez com sobremesas a base de frutas desidratadas ou passas, e talvez a tâmara seja  a melhor.

E no meio deles ainda estão os vinhos feitos com uvas atacadas pelo fungo “Botritys Cinerea”, ou Botritisados,  ou “mufa nobre”, traduzindo para o português como o chamamos na Itália. Aqui o maior representante é o famoso Sauternes, vinho francês da região de Bordeaux, que tem grande nome e preço. Estes vinhos são especiais com diversas sobremesas e até com o já tão comum par perfeito que é o “Foie Grass”, grande combinação só possível pela grande acidez que estes vinhos também possuem. Estes vinhos tem como marca registrada os aromas de damascos, de abacaxis, em geléia, e também de mel, mas geralmente é muito mais que isso. Na Hungria há ainda o Tokay ou Tocaji, vinhos de grande e complexa doçura.

Na Alemanha, na Áustria e no Canadá, os Icewines, vinhos feito com uvas congeladas, retirando a parte líquida e deixando os açucares e sólidos concentrados. É algo que não se esquece uma vez degustado. 
A Itália ainda reserva o espetacular mundo dos vinhos Passitos, ou seja, vinhos feitos com uvas que sofrem um processo de apassimento natural e provocado com a intenção de concentrar açucares. Estes vinhos encontram nos ventos e no sol seus grandes aliados. É um verdadeiro “Licor dos Deuses”, seus aromas e sabores profundos são todos naturais, somente aproveitando o que de melhor a natureza pode nos propiciar.

É incomum ouvir ou ver esses vinhos sendo consumidos no Brasil. Qual sería o motivo? Seu preço, que é mais alto em função da grande quantidade de uvas para sua elaboração? Seu tempo necessário para certas etapas?  Ou também nosso clima? Ou falta de hábito mesmo? Na verdade, acredito que todos estes motivos juntos e outros mais devem estar certos. Agora é questão de oportunidade, se ela aparecer, prove e faça um teste. Adoçar a vida com esses vinhos é adoçar com qualidade e pureza, contribuindo para aumentar seu conhecimento nos vinhos e suas combinações.

tony@enotecadecanterbc.com.br